quinta-feira, 6 de abril de 2017

Maior coleção de carrapatos da América Latina está na FMVZ


Por Adriana Carrer - Publicado em 4/4/2017                                                          Fotos: Adriana Carrer


Criada em 1997 na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) a Coleção Nacional de Carrapatos “Danilo Gonçalves Saraiva” (CNC) figura  como a maior coleção de carrapatos da América Latina e da região Neotropical. Com 3.500 frascos, com um a mais de mil carrapatos cada, a Coleção conta com 75 espécies catalogadas. Encontra-se no Laboratório de Doenças Parasitárias do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal (VPS-FMVZ/USP) e a curadoria é do professor Marcelo Bahia Labruna e do pós-doutorando Thiago Fernandes Martins.
Segundo Labruna a criação da CNC começou atendendo demandas da FMVZ para novas linhas de pesquisa que abordassem carrapatos. Com o tempo,  ganhou reconhecimento entre os pesquisadores e é uma das mais recentes coleções no país no segmento e a que mais cresce. Conta com intercâmbio com outras coleções do gênero no mundo, que solicitam o material para estudo.

Frascos numerados da Coleção: um único vidro pode conter de um até mais de 1000 carrapatos  e vista dorsal de um macho e de uma fêmea da espécie Amblyomma longirostre metalizados em ouro para estudo através de microscopia eletrônica de varredura
Carrapatos são artrópodes pertencentes à classe dos aracnídeos, na qual estão também incluídas as aranhas, escorpiões e diversas espécies de ácaros. Parasitas externos que se alimentam do sangue do hospedeiro, carrapatos podem permanecer fixados na pele do hospedeiro por dias ou semanas, quando secretam uma saliva que impede a coagulação sanguínea e as reações de defesa do organismo na área em que se fixou, podendo assim adquirir e transmitir agentes patogênicos para animais e humanos. São conhecidas aproximadamente 930 espécies de carrapatos no mundo. No Brasil, são relatadas 70 espécies.
Segundo Labruna, cerca de 80% das espécies têm sido relatadas parasitando exclusivamente os animais silvestres no Brasil. A restante minoria de 20% pode ser encontrada parasitando os animais domésticos e o homem e representam uma grande parte das espécies presentes na Coleção Nacional de Carrapatos.

Importância médico-veterinária da Coleção


Os exemplares da coleção são importantes aliados em trabalhos futuros. Registrar as espécies tombadas representa a construção de um banco de dados para comparações de espécies entre pesquisadores de diversos centros de pesquisa do mundo.
No Laboratório de Doenças Parasitárias Martins iniciou o seu mestrado orientado pelo professor Labruna, onde criaram uma chave taxonômica para identificação de espécies de ninfas de carrapatos do gênero Amblyomma. Carrapatos deste gênero são os mais importantes do país, uma vez que parasitam e transmitem agentes causadores de doenças para seres humanos. As chaves são utilizadas para classificar os carrapatos, garantido segurança na classificação da espécie de cada exemplar que chega à Coleção.
Vista dorsal de um macho (menor) e de duas fêmeas da espécie Amblyomma varium, conhecida popularmente como carrapato gigante da preguiça
Para Martins, a confecção da chave “foi um grande avanço na pesquisa no Brasil. Com isso, conseguimos identificar a importância na medicina humana e veterinária, se parasitam humanos, quem é o hospedeiro e a região geográfica no qual existe a ocorrência da espécie”.São dados técnicos importantes para pesquisadores e estudantes que atuam nas diferentes instituições de pesquisa e ensino brasileiras. Desta forma, conhecer a diversidade de espécies é fundamental para o planejamento das ações de saúde pública, defende Martins sobre a importância dos estudos no segmento.

Formação do acervo

Parte do material tombado na CNC foi coletado por Labruna e seus alunos de mestrado e doutorado. As coletas aconteceram nas expedições pelo Brasil em pesquisas sobre a Febre Maculosa Brasileira e outros agentes transmitidos por carrapatos. Os outros exemplares na coleção são provenientes de outras instituições como universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do país. Pesquisadores que trabalham com animais silvestres em vida livre, como os projetos Lobos da Canastra, Onça Pintada, Tatu Canastra e Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira, ou animais em cativeiro em zoológicos, como o de Guarulhos e Sorocaba, centros de triagem e de reabilitação de animais silvestres como o Parque Ecológico do Tietê, também realizam doações para a Coleção.
Martins explica o método de adição de um novo exemplar na coleção: “Todo carrapato para ser depositado na CNC passa por uma triagem que consiste em identificar o estágio de vida do carrapato: larva, ninfa ou adulto, o gênero do carrapato e a espécie”.  O processo é realizado no Laboratório de Doenças Parasitárias da própria Faculdade.

Desafios da curadoria

 Para os curadores um dos maiores desafios é manter a coleção sem o devido suporte financeiro. “A captação de recursos para as coleções zoológicas no Brasil é deficitária”, defendem. As agências de fomento e governantes ainda não reconheceram o valor e a importância histórica e científica dos acervos. Labruna e Martins concordam que o problema fica mais evidente no hemisfério sul onde “muitos pesquisadores preferem depositar seus exemplares, especialmente quando se tratam de novas espécies, nas renomadas coleções da Europa e Estados Unidos, pois seria uma garantia que estes exemplares seriam preservados”.
Manter esses exemplares na Coleção pertencente à FMVZ é de grande importância para pesquisadores, alunos e professores uma vez que essas espécies atuam como vetores de diversos patógenos que afetam o homem e os animais de produção e companhia.  Segundo Labruna, se maiores investimentos não forem realizados, uma das soluções a longo prazo “é doar a coleção para uma instituição no exterior. Se um pesquisador brasileiro precisar consultar o material, vai precisar pedir autorização para os curadores estrangeiros para examinar uma espécie que foi coletada no Brasil”, explicou.
Os avanços com as pesquisas sobre carrapatos ainda carecem de mais investimentos. “Descrevemos em média uma espécie nova por ano no Brasil, e duas ou três na América do Sul. Isso quer dizer que nossas descobertas sobre a diversidade de carrapatos ainda é muito insipiente. Temos muita coisa a ser descoberta”, concluiu Labruna.

Acesso e contribuição

Os pesquisadores, alunos e interessados podem pedir empréstimo para o uso dos exemplares mediante assinatura de um termo de responsabilidade para consulta. Qualquer pesquisador ou aluno também pode colaborar para o aumento do acervo. “Para que isso ocorra, é importante que os carrapatos coletados sejam preservados em álcool 70% ou 100% e acompanhados de informações como nome do hospedeiro em qual o carrapato foi coletado ou se o mesmo foi coletado em vida livre [na vegetação, solo, caverna], município e data da coleta”, afirma Martins.
Quando os carrapatos chegam ao laboratório sem os devidos dados necessários para serem tombados na Coleção, o material é doado para professores. Com estes exemplares, realizam trabalhos de extensão com alunos para a conscientização na educação ambiental e educação em saúde pública, dentro e fora da universidade.

Vista dorsal de uma fêmea da espécie Amblyomma brasiliense fotografada em lupa estereoscópica Foto: Thiago Martins

Para mais informações sobre a coleção:

O Laboratório de Doenças Parasitárias funciona das 8h às 18 horas, de segunda a sexta-feira. O telefone é 55 11 3091-1446, e os e-mails para contato são <labruna@usp.br> e <thiagodogo@hotmail.com >.
Endereço para o envio de carrapatos, aos cuidados de Marcelo B. Labruna e/ou Thiago F. Martins (fones : 55 11 3091 1394 / 3091 7701):
Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia
Universidade de São Paulo
Av. Prof. Orlando Marques de Paiva, 87, Cidade Universitária
São Paulo, SP, Brasil 05508-270.

Fonte: Assessoria de Imprensa da FMVZ/USP <http://www.fmvz.usp.br/noticias/763>

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Zootecnia celebra cinquentenário no Brasil


Mais profissionalismo no agronegócio e luta por reconhecimento marcam jovem história da profissão no Brasil

Completa 50 anos no próximo dia 13 de maio a inauguração do primeiro curso de graduação da Zootecnia no Brasil. O ensino foi iniciado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Comemora-se, nesta data, o Dia do Zootecnista. De lá para cá, o País passou a contar com mais de 100 cursos de graduação na área, que em 2016 passarão pela avaliação periódica do último triênio.

Pesquisadores acreditam que a exploração dos animais pelo homem tenha começado na Ásia, em 7000 a.C, mas a Zootecnia como disciplina surgiu apenas em 1848, no Instituto Agronômico de Versalhes, na França. No Brasil, a institucionalização aconteceria 118 anos depois.

O mercado de trabalho, ainda que afetado pela crise econômica, gera boas oportunidades, por ter como mola propulsora o bom desempenho do agronegócio frente aos demais segmentos da economia nacional. O PIB do setor cresceu 1,8% em 2015 na comparação com o ano anterior, enquanto no período o nacional caiu 3,8%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Se hoje o Brasil é reconhecido o maior exportador de carne bovina, o segundo maior produtor de frango e quarto produtor de suínos no mercado mundial, muito se deve ao trabalho sério que os zootecnistas desenvolvem nas fazendas e granjas”, afirma o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Mário Eduardo Pulga.

Abrangente, o campo de atuação para o zootecnista engloba atividades para além das relativas ao agronegócio, com animais silvestres, de companhia, esporte e lazer, em fazendas e granjas, estabelecimentos agroindustriais, indústria de rações, fármacos, produtos biológicos e outros insumos para animais.

O profissional também pode exercer suas atividades em instituições de ensino e centros de pesquisa e em empresas de consultoria e comercialização agropecuária. O presidente do CRMV-SP destaca, também, o competente trabalho feito por zootecnistas na preservação da fauna e na criação de animais de companhia, lazer e esporte. “O conhecimento aprofundado destes profissionais sobre as características de cada espécie e de cada raça, aliados à tecnologia, tem gerado resultados expressivos”, diz.

Regulamentada em 04 de dezembro de 1968 pela lei federal 5.550, o curso de Zootecnia teve seu currículo mínimo e duração estabelecidos pelo Parecer 406, Resolução n° 6. Em 1984, foram elaborados novos currículos. Em 1997 através do Edital 04/97 da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e Cultura, os órgãos competentes novamente debatem uma reforma. Uma resolução de 2006 do MEC instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso.


Sobre o CRMV-SP

O CRMV-SP é o órgão de fiscalização do exercício profissional dos médicos-veterinários e zootecnistas do Estado de São Paulo. Assessora os governos da União, Estados e Municípios nos assuntos relacionados com as profissões por ele representadas. Funciona ainda como Tribunal de Honra de médicos-veterinários e zootecnistas, zelando pelo prestígio e bom nome dessas profissões.

Endereço: Rua Apeninos, 1.088 - Paraíso - São Paulo
Cep: 04104-021 - SP [Mapa]
Fone: (11) 5908 4799 - Fax: (11) 5084 4907
Expediente: Segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 16h

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